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domingo, 25 de outubro de 2015

Alegria desalegre
e felicidade infeliz
essa prescrição do amor

Escravidão da vontade
ludibrio do excesso
contenda do estar pelo ser

Se amor é viver,
vivamos o nosso íntimo
que o mundo desconhece
quem inveja os seus anseios

Assenhorear a harmonia
singular do ser
Essa melodia
Impossível de esquecer

Bernardo de Almeida Henriques

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Reconciliação


Deixemos as máscaras
dos copos cheios
e cinzas mortas
compradas ao balcão,
omissamente libertadoras
da nossa natureza

Promovidos a alfarrabistas da alma
vendemo-nos às ilusões
leiloando a existência
a quem a comprar

As ideias sucumbem,
sob o peso do ouro
a autenticidade triunfa
nas máscaras.
O alfa torna-se ómega.

Não sejamos de ninguém
que não nós.
Nós somos nossos
e nós somos do mundo.

Bernardo de Almeida Henriques 

domingo, 31 de maio de 2015

Cadente

A Vida é uma estrela cadente
breve e incandescente,
que se despe
para o felizardo sorridente.

O Seu preço são mãos entrelaçadas
o chilrear da música
o declamar do livro
a dança das flores
o paladar mediterrânico
as paixões do Sul

O Seu preço é a libertação da expectação
é a apreensão da sensação.
Quem persegue, não encontra
quem desiste, não conta
quem espera, desespera

Bernardo de Almeida Henriques

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Janeira

Chuva fria molha o corpo
No regaço que aquece a alma,
Enquanto Cidade e Rio choram
Essa água que nos cultiva

Despojado da minha Capa
Furtou-me o segredo,
Que nela queria guarida
E traçado o enredo,
De mais uma despedida

Coimbra guardou-lhe o encanto
Nos lugares de que fizemos canto
Escutando as letras do nosso canto

Bernardo de Almeida Henriques

sábado, 3 de janeiro de 2015

Avante

Pensamento vazio, esvazio
De fio a pavio.
Cansado das promessas vãs de quem nos mentiu
E do Velho do Restelo que estende a mão a quem o extorquiu

Espezinham o Vermelho com brio,

Que nos deu liberdade como ninguém sentiu.

A foice encheu o buraco que a fome abriu

O martelo elevou casas contra o frio

O povo saiu à rua e sorriu


O Cravo fala e dá-se-lhes um arrepio

“A felicidade para onde fugiu?”

A resposta é um assobio

“O capital para onde fugiu?”

Subitamente, perdem o pio.

Mas o que importa, quando a ditadura sucumbiu?

Abençoados democratas que nos livram deste mundo sombrio!

Bernardo de Almeida Henriques