Ecoou intemporal o grito
do resistente sepultado
sob a sombra de uma bela flor,
no alto das montanhas.
Brado contido na sombra
da azinheira grandolense
e do salgueiro do Carmo,
que deu à luz um Cravo.
Era a madrugada de êxtase,
alegria eufórica de ser livre
volvidos quarenta e oito anos de noite
sanguinária, pútrida, bafienta e sufocante.
E depois do adeus,
renasce a Esperança em Abril
e no devir da utopia,
promessa cantarolada de futuro:
"E se todo o mundo é composto de mudança,
troquemos-lhe as voltas que ainda o dia é uma criança".
Bernardo Almeida Henriques
Inquietude
quinta-feira, 25 de abril de 2019
sábado, 2 de março de 2019
Porvir
Sorrateira, navega o azul do céu
e esborrata o branco das nuvens,
bebe oceanos esmeralda
e devora montanhas prateadas.
É a expetativa do recomeço,
paleta de tinta a sarapintar
o virgem por desbravar
e o possível impossível.
Metamorfose antes de o ser,
é a candura de quem cisma
a felicidade por vir.
E cismando,
no encanto da hipótese,
recomeço, recomponho, reinvento,
refaço.
Bernardo Almeida
Henriques
domingo, 20 de janeiro de 2019
O Sopro
Despir dentes-de-leão
em vales sobre searas
dançando ao ritmo do vento,
no conchego do teu regaço.
Sonhos de flor branca
a caiar o dourado trigueiro
e o castanho do teu cabelo,
no feixe de luz poente.
Partilhamos devaneios,
repousamos anseios,
até espirrar um dos sonhos flutuantes.
E a gargalhar, a vida acontece
cândida e plena, insuflada
pelo instante de um sopro.
Bernardo Almeida Henriques
em vales sobre searas
dançando ao ritmo do vento,
no conchego do teu regaço.
Sonhos de flor branca
a caiar o dourado trigueiro
e o castanho do teu cabelo,
no feixe de luz poente.
Partilhamos devaneios,
repousamos anseios,
até espirrar um dos sonhos flutuantes.
E a gargalhar, a vida acontece
cândida e plena, insuflada
pelo instante de um sopro.
Bernardo Almeida Henriques
terça-feira, 4 de setembro de 2018
Cantar da Matriosca
Exausto com o peso desta
chaga saudosa.
De me olhar ao espelho e
ver o rosto dos meus antepassados,
Da vontade compulsória de
honrar um fado que não é meu,
De saber de onde vim
desconhecendo para onde vou.
No ermo do sol poente
Perdido em caminhos de matriosca,
busco-me
Por entre os invólucros
dos meus pais e avós,
Esperançoso de encontrar
a minha própria voz.
Que chagas vou deixar
quando for eu antepassado,
Neste círculo vicioso de nos
descobrirmos a nós e às nossas circunstâncias.
Afinal de contas, qual é
o legado que vou cantar?
Bernardo de Almeida
Henriques
terça-feira, 16 de maio de 2017
Alma de Tinta
A cessação do som
Ensurdece por escrito
O espírito do bom,
Cega-o para ver o atrito
Criado pela palavra sem tom.
Essa dádiva de falar no sossego da tinta
Toca a alma e urra no silêncio.
Une e separa,
Cria e destrói,
É movimento e estatismo,
Ama e odeia.
Quando o poeta aprende a escrever
Já conheceu o mundo e o Homem.
Compõe a verdade e fala por dever.
Bernardo de Almeida Henriques
sábado, 18 de março de 2017
Cotovia
Vi-a
ondulante e destoada,
Uma
cotovia a esvoaçar sob as estrelas.
Subiu
ao céu, roubou-lhes o cintilar
Mergulhou
no ar e enfeitiçou-me.
As
noites tornaram-se dela
E
como num toque de sino,
O
crepúsculo na minha janela
Chamava-me
para escutar o seu hino.
Assobiávamos
numa única voz
E
confundiam-se os corpos em movimento
Mas
de manhã, ela voava para lá da foz
E
eu permanecia preso ao chão.
Numa
das celestiais dança ao luar
Capturei-a
para não me fugir.
Pus-lhe
nas asas os meus sonhos
E
o pouco que restava de mim,
Na
esperança de nunca mais a perder
Tal
como os meus sonhos,
As
asas da cotovia não conheciam limites.
Escapuliu-se
e levou-me com ela
Sob
o sol, a lua, as estrelas,
Sobre
o mar, sobre as falésias, sobre as árvores.
Esvaziou-me.
Percorro
ruas labirínticas e desconhecidas
E
ao virar da esquina encontro desassossego,
E
as sombras perseguem-me até à noite,
Porque
continuo a visitar o crepúsculo.
Oiço
silêncio e os ecos do que ficou por cumprir,
Mas
vejo-te no horizonte, comigo nas tuas asas
À
espera de me reencontrar no teu feitiço.
Bernardo de Almeida Henriques
domingo, 25 de outubro de 2015
Alegria desalegre
e felicidade infeliz
essa prescrição do amor
Escravidão da vontade
ludibrio do excesso
contenda do estar pelo ser
Se amor é viver,
vivamos o nosso íntimo
que o mundo desconhece
quem inveja os seus anseios
Assenhorear a harmonia
singular do ser
Essa melodia
Impossível de esquecer
Bernardo de Almeida Henriques
e felicidade infeliz
essa prescrição do amor
Escravidão da vontade
ludibrio do excesso
contenda do estar pelo ser
Se amor é viver,
vivamos o nosso íntimo
que o mundo desconhece
quem inveja os seus anseios
Assenhorear a harmonia
singular do ser
Essa melodia
Impossível de esquecer
Bernardo de Almeida Henriques
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