Ensurdece por escrito
O espírito do bom,
Cega-o para ver o atrito
Criado pela palavra sem tom.
Essa dádiva de falar no sossego da tinta
Toca a alma e urra no silêncio.
Une e separa,
Cria e destrói,
É movimento e estatismo,
Ama e odeia.
Quando o poeta aprende a escrever
Já conheceu o mundo e o Homem.
Compõe a verdade e fala por dever.
Bernardo de Almeida Henriques