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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Janeira

Chuva fria molha o corpo
No regaço que aquece a alma,
Enquanto Cidade e Rio choram
Essa água que nos cultiva

Despojado da minha Capa
Furtou-me o segredo,
Que nela queria guarida
E traçado o enredo,
De mais uma despedida

Coimbra guardou-lhe o encanto
Nos lugares de que fizemos canto
Escutando as letras do nosso canto

Bernardo de Almeida Henriques

sábado, 3 de janeiro de 2015

Avante

Pensamento vazio, esvazio
De fio a pavio.
Cansado das promessas vãs de quem nos mentiu
E do Velho do Restelo que estende a mão a quem o extorquiu

Espezinham o Vermelho com brio,

Que nos deu liberdade como ninguém sentiu.

A foice encheu o buraco que a fome abriu

O martelo elevou casas contra o frio

O povo saiu à rua e sorriu


O Cravo fala e dá-se-lhes um arrepio

“A felicidade para onde fugiu?”

A resposta é um assobio

“O capital para onde fugiu?”

Subitamente, perdem o pio.

Mas o que importa, quando a ditadura sucumbiu?

Abençoados democratas que nos livram deste mundo sombrio!

Bernardo de Almeida Henriques