Exausto com o peso desta
chaga saudosa.
De me olhar ao espelho e
ver o rosto dos meus antepassados,
Da vontade compulsória de
honrar um fado que não é meu,
De saber de onde vim
desconhecendo para onde vou.
No ermo do sol poente
Perdido em caminhos de matriosca,
busco-me
Por entre os invólucros
dos meus pais e avós,
Esperançoso de encontrar
a minha própria voz.
Que chagas vou deixar
quando for eu antepassado,
Neste círculo vicioso de nos
descobrirmos a nós e às nossas circunstâncias.
Afinal de contas, qual é
o legado que vou cantar?
Bernardo de Almeida
Henriques