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domingo, 30 de março de 2014

Artista de Rua

Tenho-me entretido a construir um sarcófago
Onde repousa o que alcancei.
Não vou fugir por ti, nem pelo sonho,
Nem pelo fado, nem por Gaia,
Porque até quando o céu chora, eu sorrio

Mas não te deixes ludibriar!
Se o meu passado for presságio do teu futuro,
Sossega, vou-te contar um segredo
Que escorre como a chuva, transparente e puro:

Sou o culminar de todo o potencial desperdiçado;
Sou o poeta que nunca escreveu,
Sou o músico que nunca compôs,
Sou o filósofo que nunca pensou,
Sou o humorista que nunca gracejou,
Sou o génio que nunca criou,
E eis que, numa frenética apoteose, glorifico o tudo que não sou

Bernardo de Almeida Henriques

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