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sábado, 26 de abril de 2014

Migração

Gostava de ser uma andorinha:
Voar com a certeza do destino
Como nos meus tempos de menino,
Rumar para o desconhecido
Sem nunca o ter conhecido,
Regressar à rua onde cresci
Partir de novo para mundos que nunca vi.

Só que Homem, não é andorinha
Deambula sem saber para onde caminha
A vida molda-o corrompido
Porque não lhe satisfaz nenhum pedido.

A mente é um tempestuoso mar de ratoeiras
Navega-se sem bússola.
Cautela com a canção das sereias
Se te enfeitiçarem com a sua dor,
Perder-te-ás a ti,
Encontrarás adamastor.


Bernardo de Almeida Henriques  

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