Vi-a
ondulante e destoada,
Uma
cotovia a esvoaçar sob as estrelas.
Subiu
ao céu, roubou-lhes o cintilar
Mergulhou
no ar e enfeitiçou-me.
As
noites tornaram-se dela
E
como num toque de sino,
O
crepúsculo na minha janela
Chamava-me
para escutar o seu hino.
Assobiávamos
numa única voz
E
confundiam-se os corpos em movimento
Mas
de manhã, ela voava para lá da foz
E
eu permanecia preso ao chão.
Numa
das celestiais dança ao luar
Capturei-a
para não me fugir.
Pus-lhe
nas asas os meus sonhos
E
o pouco que restava de mim,
Na
esperança de nunca mais a perder
Tal
como os meus sonhos,
As
asas da cotovia não conheciam limites.
Escapuliu-se
e levou-me com ela
Sob
o sol, a lua, as estrelas,
Sobre
o mar, sobre as falésias, sobre as árvores.
Esvaziou-me.
Percorro
ruas labirínticas e desconhecidas
E
ao virar da esquina encontro desassossego,
E
as sombras perseguem-me até à noite,
Porque
continuo a visitar o crepúsculo.
Oiço
silêncio e os ecos do que ficou por cumprir,
Mas
vejo-te no horizonte, comigo nas tuas asas
À
espera de me reencontrar no teu feitiço.
Bernardo de Almeida Henriques
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