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terça-feira, 4 de setembro de 2018

Cantar da Matriosca


Exausto com o peso desta chaga saudosa.
De me olhar ao espelho e ver o rosto dos meus antepassados,
Da vontade compulsória de honrar um fado que não é meu,
De saber de onde vim desconhecendo para onde vou.

No ermo do sol poente
Perdido em caminhos de matriosca, busco-me
Por entre os invólucros dos meus pais e avós,
Esperançoso de encontrar a minha própria voz.

Que chagas vou deixar quando for eu antepassado,
Neste círculo vicioso de nos descobrirmos a nós e às nossas circunstâncias.
Afinal de contas, qual é o legado que vou cantar?

Bernardo de Almeida Henriques

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