Vagueio irrequietamente por
jardins proibidos, vedados com parábolas incompreendidas pela razão, procurando
o néctar mais cobiçado neste mundo. A
minha sensibilidade permitiu que semeasse as sementes, que cuidasse das flores
que brotavam, que as colhesse e que confecciona-se esse doce e intangível
néctar, todavia, faltou-me a perspicácia para compreender que, sem sustentar
este processo ininterrupto, a magia iria cessar. A verdade é que preferia ser
antes como o mar, do que jardineiro.
O mar, que promete infinidade,
jamais se resigna, jamais se sente satisfeito. O mar, essa força indomável que
repetidamente procura beijar a costa inerte e repetidamente é afastado e rejeitado
por ela, não desiste desse ciclo. No encontro dessas duas dimensões, opostas, haverá mais bonita história de amor? Eu
invejo essa metafísica porque enquanto jardineiro, estou habituado a dominar a
natureza, a empanturrar-me com o que de melhor que ela tem para oferecer, até
saciar os meus desejos momentâneos. Saciadas as vontades, a natureza recai na
sombra e no esquecimento. O problema é que a vida não se trata de um efémero
beijo num banco de jardim, a vida deve ser abraçada convictamente e encarada
como um cumprimento que, educadamente, devemos receber e preservar.
Amaldiçoo o êxito fácil, o
perverso prazer imediato e o arrogante pensamento de que as conquistas são
garantidamente eternas. Que a chuva me lave destes males, quero despojar-me
destas pestes para beber mais desse excelso néctar dos deuses

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