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quinta-feira, 11 de julho de 2013

Jardineiro

 Vagueio irrequietamente por jardins proibidos, vedados com parábolas incompreendidas pela razão, procurando o néctar mais cobiçado neste mundo.  A minha sensibilidade permitiu que semeasse as sementes, que cuidasse das flores que brotavam, que as colhesse e que confecciona-se esse doce e intangível néctar, todavia, faltou-me a perspicácia para compreender que, sem sustentar este processo ininterrupto, a magia iria cessar. A verdade é que preferia ser antes como o mar, do que jardineiro.
O mar, que promete infinidade, jamais se resigna, jamais se sente satisfeito. O mar, essa força indomável que repetidamente procura beijar a costa inerte e repetidamente é afastado e rejeitado por ela, não desiste desse ciclo. No encontro dessas duas dimensões, opostas, haverá mais bonita história de amor? Eu invejo essa metafísica porque enquanto jardineiro, estou habituado a dominar a natureza, a empanturrar-me com o que de melhor que ela tem para oferecer, até saciar os meus desejos momentâneos. Saciadas as vontades, a natureza recai na sombra e no esquecimento. O problema é que a vida não se trata de um efémero beijo num banco de jardim, a vida deve ser abraçada convictamente e encarada como um cumprimento que, educadamente, devemos receber e preservar.
Amaldiçoo o êxito fácil, o perverso prazer imediato e o arrogante pensamento de que as conquistas são garantidamente eternas. Que a chuva me lave destes males, quero despojar-me destas pestes para beber mais desse excelso néctar dos deuses


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